Mostrar mensagens com a etiqueta rir e pensar. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta rir e pensar. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Rir e pensar

No seu livro Os Problemas da Filosofia, Bertrand Russell ilustra de forma irónica, tipicamente britânica, o problema da indução. Pede-nos que imaginemos um peru a quem o agricultor dá todos os dias de comer. O peru acostuma-se a isso e, cada vez que vê aparecer o agricultor, espera receber a sua ração diária. Suponhamos que o peru é um bom indutivista e não quer precipitar-se nas suas conclusões. Dedica-se, portanto, a recolher pacientemente dados sobre o assunto que mais lhe interessa – a hora da refeição. Finalmente, face à regularidade com que sucedem os fenómenos, o peru acaba por inferir que sempre que aparece o agricultor recebe a sua ração de alimentos.

Estamos no Dia de Acção de Graças e o peru pavoneia-se de contente com a sua descoberta. Não imagina, porém, que, nesse dia, o agricultor que esteve a alimentá-lo até então, em vez de he dar de comer, lhe torcerá o pescoço, metê-lo-á no forno e o comerá!

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Rir e pensar

David Hume defendeu o empirismo (apenas é fiável a informação que nos chega através dos sentidos), mas propôs-se corrigi-lo na vida quotidiana com uma boa dose de bom senso, o qual, seguramente, o evitou de cair no ridículo em mais de uma ocasião, diferentemente do protagonista desta anedota clássica:
Um empirista visitava uma quinta em companhia de amigos, quando um deles, ao ver um rebanho de ovelhas sem lã, comentou:
– Vê-se que as ovelhas acabam de ser tosquiadas.
Ao que o empirista, fiel aos seus princípios gnoseológicos, acrescentou:
– Deste lado, parece que sim.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Rir e pensar

«Is it hard to do philosophy?
It's murder, absolutely. I compare it ... if you really want to know how to do it, you get up in the morning, there's a large brick wall and you run your head against that brick wall. And you keep doing that every day until eventually you make a hole in the wall. That's what it feels like.» (John Searle)
In John Searle Interview: Conversations with History; Institute of International Studies, UC Berkeley, http://globetrotter.berkeley.edu/people/Searle/searle-con2.html

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Rir e pensar

Quantos cabelos têm de cair a uma pessoa para poder ser considerada calva?

(Esta é uma questão à qual subjaz uma falácia: a falácia da anfibologia ou vaguidade. Consiste em jogar com a vaguidade de algumas palavras, levando-nos a crer que se torna impossível chegar a uma conclusão ou que é falsa determinada ideia, quando na realidade pode não ser. Neste caso, faz-nos crer que nunca poderíamos determinar exactamente quando uma pessoa pode ser considerada calva, já que se trata de um conceito vago!)

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Rir e pensar

Crisipo (Solis, 280 a.C. - Atenas, 208 a.C.) foi um dos filósofos mais importantes do estoicismo antigo, que se dedicou em especial ao estudo da lógica.

Segundo ele, até os cães utilizam a lógica, como se pode comprovar se os observarmos quando seguem um rasto de outro animal e chegam a uma encruzilhada, onde têm de escolher entre dois caminhos distintos. Se, depois de farejar um deles, o elimina, opta automaticamente pelo outro, como se o cão em questão utilizasse um silogismo disjuntivo – “A ou B, não A; logo, B”!

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Rir e pensar

Costuma atribuir-se a Bertrand Russell – importante filósofo inglês, sobretudo no âmbito da filosofia da linguagem e da lógica – a seguinte anedota.

Russell discutia um dia com outro filósofo sobre a implicação lógica (ou condicional). Em lógica, considera-se que uma implicação só é falsa quando o antecedente é verdadeiro e o consequente, falso. Portanto, se o antecedente for falso, então a implicação é automaticamente verdadeira. Mas este outro filósofo, que achava tudo isto absurdo, quis mostrar com um exemplo o ridículo que poderia resultar dessa regra lógica:

– Segundo isso – disse ele a Russell –, haveria que admitir que é verdade que “se 2 + 2 = 5, então o senhor é o Papa”?

Russell respondeu afirmativamente, improvisando a seguinte demonstração disparatada:

– Suponhamos que 2 + 2 = 5; então, se subtrairmos 3 a cada lado da equação, ficamos com 1 = 2; então, o Papa e eu somos um. Logo, eu sou o Papa.