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segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Ser filósofo, ser humano – uma aventura

Para comemorar o Dia Mundial da Filosofia (18-11-2010), o grupo de professores de filosofia exibirá, no próximo dia 17-11-2010, pelas 14:15, no Auditório da Escola Secundária, o filme “Wittgenstein”, de Derek Jarman, dirigido a todos os alunos do ensino secundário.

O intuito principal é pôr os alunos em contacto com um dos filósofos mais influentes do séc. XX e mostrar, através de um exemplo, o que é ser filósofo, a utilidade da filosofia, mas também a aventura de ser humano. Além de questões relacionadas com a definição e utilidade da filosofia, o filme suscitará o debate de questões de ética, lógica e filosofia da linguagem, em suma, questões relacionadas com a nossa abordagem e conhecimento do mundo, veículo privilegiado de acesso à vida verdadeiramente humana.

O filme é uma dramatização em estilo teatral moderno da vida e do pensamento do filósofo Ludwig Wittgenstein (para uma síntese do seu pensamento, ver aqui). Nascido em Viena e educado na Universidade de Cambridge, os seus principais interesses giravam em torno da natureza e limites da linguagem. Esta película biográfica apresenta as ideias de Wittgenstein e a sua luta contra os absurdos da sua vida. É nesta linha do absurdo que há aparições de um marciano verde e um rinoceronte fora de lugar!

Além desta faceta irónica e jucosa, é um projecto cinematográfico que introduz uma reflexão sobre temas notavelmente sérios, como a relação homossexual do filósofo com um seu aluno e o temor que sentia devido à sociedade repressora onde vivia ou os presumíveis equívocos de toda uma tradição filosófica com as suas supostas falsas questões.

Não utilizando muitos recursos de cenário, visto que o filme é gravado inteiramente num espaço cercado por um fundo preto, esta biografia segue Wittgenstein desde a sua infância, em Viena, o seu alistamento na I Guerra Mundial e, finalmente, a sua vida em Cambridge, onde manteve uma ligação com o influente economista Maynard Keynes (John Quentin) e o não menos importante filósofo britânico Bertrand Russell (Michael Gough). Embora tenha deixado a universidade diversas vezes à procura de viver a vida de uma forma diferente (tendo pensado, certa vez, tornar-se um trabalhador braçal), Wittgenstein acaba sempre por voltar à universidade -- à aventura de ser humano em busca do saber.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Rir e pensar

Costuma atribuir-se a Bertrand Russell – importante filósofo inglês, sobretudo no âmbito da filosofia da linguagem e da lógica – a seguinte anedota.

Russell discutia um dia com outro filósofo sobre a implicação lógica (ou condicional). Em lógica, considera-se que uma implicação só é falsa quando o antecedente é verdadeiro e o consequente, falso. Portanto, se o antecedente for falso, então a implicação é automaticamente verdadeira. Mas este outro filósofo, que achava tudo isto absurdo, quis mostrar com um exemplo o ridículo que poderia resultar dessa regra lógica:

– Segundo isso – disse ele a Russell –, haveria que admitir que é verdade que “se 2 + 2 = 5, então o senhor é o Papa”?

Russell respondeu afirmativamente, improvisando a seguinte demonstração disparatada:

– Suponhamos que 2 + 2 = 5; então, se subtrairmos 3 a cada lado da equação, ficamos com 1 = 2; então, o Papa e eu somos um. Logo, eu sou o Papa.