Mostrar mensagens com a etiqueta definição de filosofia. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta definição de filosofia. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Rir e pensar

«Is it hard to do philosophy?
It's murder, absolutely. I compare it ... if you really want to know how to do it, you get up in the morning, there's a large brick wall and you run your head against that brick wall. And you keep doing that every day until eventually you make a hole in the wall. That's what it feels like.» (John Searle)
In John Searle Interview: Conversations with History; Institute of International Studies, UC Berkeley, http://globetrotter.berkeley.edu/people/Searle/searle-con2.html

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

A filosofia pela poesia

«Mais gelo quanto mais ardo
disse a Heloísa, Abelardo.

(Foi minha a filosofia -- quando assim o quis ter --,
mais do que um querer saber -- de um saber que não queria --:
que é sabor de poesia... -- Oh, sábia sabedoria! --
Saborear o não ser!...)

De tempo o saber precisa,
disse a Abelardo, Heloísa.

(José Bergamín, Poesías casi completas)

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Ser filósofo, ser humano – uma aventura

Para comemorar o Dia Mundial da Filosofia (18-11-2010), o grupo de professores de filosofia exibirá, no próximo dia 17-11-2010, pelas 14:15, no Auditório da Escola Secundária, o filme “Wittgenstein”, de Derek Jarman, dirigido a todos os alunos do ensino secundário.

O intuito principal é pôr os alunos em contacto com um dos filósofos mais influentes do séc. XX e mostrar, através de um exemplo, o que é ser filósofo, a utilidade da filosofia, mas também a aventura de ser humano. Além de questões relacionadas com a definição e utilidade da filosofia, o filme suscitará o debate de questões de ética, lógica e filosofia da linguagem, em suma, questões relacionadas com a nossa abordagem e conhecimento do mundo, veículo privilegiado de acesso à vida verdadeiramente humana.

O filme é uma dramatização em estilo teatral moderno da vida e do pensamento do filósofo Ludwig Wittgenstein (para uma síntese do seu pensamento, ver aqui). Nascido em Viena e educado na Universidade de Cambridge, os seus principais interesses giravam em torno da natureza e limites da linguagem. Esta película biográfica apresenta as ideias de Wittgenstein e a sua luta contra os absurdos da sua vida. É nesta linha do absurdo que há aparições de um marciano verde e um rinoceronte fora de lugar!

Além desta faceta irónica e jucosa, é um projecto cinematográfico que introduz uma reflexão sobre temas notavelmente sérios, como a relação homossexual do filósofo com um seu aluno e o temor que sentia devido à sociedade repressora onde vivia ou os presumíveis equívocos de toda uma tradição filosófica com as suas supostas falsas questões.

Não utilizando muitos recursos de cenário, visto que o filme é gravado inteiramente num espaço cercado por um fundo preto, esta biografia segue Wittgenstein desde a sua infância, em Viena, o seu alistamento na I Guerra Mundial e, finalmente, a sua vida em Cambridge, onde manteve uma ligação com o influente economista Maynard Keynes (John Quentin) e o não menos importante filósofo britânico Bertrand Russell (Michael Gough). Embora tenha deixado a universidade diversas vezes à procura de viver a vida de uma forma diferente (tendo pensado, certa vez, tornar-se um trabalhador braçal), Wittgenstein acaba sempre por voltar à universidade -- à aventura de ser humano em busca do saber.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Ferramentas da filosofia

«Os filósofos concebem teorias bizarras, empolgantes e às vezes inquietantes. Esse não é principal objectivo do seu trabalho, claro. O que eles querem, acima de tudo, é saber aquilo que é verdadeiro. A razão é a ferramenta que usam para os ajudar a atingir esse objectivo.

Os filósofos querem que as suas teorias e soluções tenham, pelo menos, boas hipóteses de estarem certas. Tentam conseguir isso aplicando a razão. Submetem as teorias a um estudo crítico minucioso e tentam arranjar argumentos convincentes para supor que elas estão certas.

É tentador pensar nos nossos “poderes da razão” como a capacidade de encadear logicamente cadeias de raciocínios e também de descobrir os elos defeituosos dessas cadeias, tal como um computador pode estar programado para fazer. Não há dúvida de que a capacidade de construir cadeias complexas de raciocínios e de nelas detectar falhas é uma competência essencial para qualquer filósofo. Mas a expressão “poderes da razão” refere-se, na verdade, a um conjunto de capacidades mentais bem mais vasto e diversificado. Tornar-se um bom filósofo implica desenvolver todo um conjunto de competências de pensamento, incluindo a capacidade de fazer afirmações claras, precisas e relevantes. Os filósofos também precisam da capacidade de não abandonar um problema e de revelar paciência e determinação. Além disso, devem ser capazes de recuar e de pensar de forma imaginativa e criativa (…). Também são úteis à filosofia a capacidade de pesar as probabilidades e os dados, a capacidade de reconhecer (e combater) a sua subjectividade e a capacidade de identificar falácias no raciocínio próprio e dos outros.»

Stephen Law, Filosofia (Porto: Dorling Kindersley / Civilização Eds, 2009) 192.

sábado, 2 de outubro de 2010

Para que serve a filosofia?


«As perguntas filosóficas incluem algumas das perguntas mais empolgantes, intrigantes e importantes jamais colocadas. Conseguem pôr em causa as nossas crenças mais básicas.

Às vezes, a filosofia é vista como uma disciplina “cabeça na lua”, sem relevância para a vida quotidiana. Mas a verdade é que a filosofia pode ser, e muitas vezes é de facto, muito relevante.

Embora possamos não nos aperceber disso, todos temos crenças filosóficas. Por exemplo, tenho a certeza de que você, tal como eu, acha que o passado é um bom indicador do futuro. Isso é uma crença filosófica. Podemos acreditar que Deus existe. Ou acreditar que não existe. Essas também são crenças filosóficas. Alguns crêem que temos uma vida imortal, outros acham que somos seres puramente materiais. Muitos julgam que as coisas são moralmente correctas ou incorrectas independentemente do que nós possamos achar, outros defendem que o correcto e o incorrecto não passam de uma preferência subjectiva. Acreditamos que o mundo que vemos à nossa volta é real e que continua a existir mesmo quando não estamos a observá-lo. Também essas são crenças filosóficas e foram ambas objecto de análise por parte de filósofos.

Obviamente essas crenças podem ter um impacto na nossa vida quotidiana. Uma pessoa que acredita que os princípios morais não passam de preferências subjectivas pode acabar por comportar-se de forma muito distinta de uma pessoa que acredita que a imoralidade de roubar ou matar é do domínio dos factos objectivos. Os debates morais e políticos contemporâneos também têm um carácter filosófico. As questões ligadas ao aborto, aos direitos dos animais, à guerra e à liberdade de expressão têm todas uma importante dimensão filosófica.

Alguém que nunca tenha pensado realmente nessas questões, ou que esteja mal preparado para pensar nelas, estará portanto em desvantagem na hora de tentar perceber o que é verdadeiro – ou que tem mais probabilidades de o ser.»

Stephen Law, Filosofia (Porto: Dorling Kindersley / Civilização Eds, 2009) 14-15.